Quem é rico?

Texto escrito na lista da ITA-NET (ex-alunos do ITA) por Mohamed-Aer-85.
Rico é quem ama muito, é muito amado, não odeia e não é odiado.
Não sei se ainda dá tempo para muita gente destas listas, talvez também eu esteja enxugando gelo, mas recomendo a todos, não vendam as suas vidas e as suas consciências na busca pelo poder e/ou pelo dinheiro.
Passei grande parte da minha vida obcecado em “vencer”, achando que vencer era “enriquecer” e até consegui obter algum dinheiro, mas não sou feliz, não sei amar, sou amado por poucos e odiado por muitos.
Eu fui tão pouco sensível que passei grande parte da vida vendo as pessoas que trabalhavam para mim serem muito mais felizes, com muito menos recursos materiais e a “ficha não caía”.
Quando eu ia às minhas obras via os pedreiros colocando apelidos uns nos outros e virando concreto e assentando tijolos sacaneando-se e rindo, enquanto eu carrancudo procurava os defeitos nos serviços deles.
Algumas vezes ia à casa deles nos finais de semana e, invariavelmente, lá estavam eles, fazendo um churrasquinho extremamente simplório e improvisado e, quando eu chegava, eles, sorrindo, diziam: “chega aí seu Mohamed e Dona Leila, venham comer uma carninha com a gente”.
Eu fazia uma horinha ali e depois retornava para a riqueza e para a frieza do meu lar.
Lembro ainda uma vez que “dei” um tanque cheio de presente para um pedreiro e ao encher o tanque o combustível vazou quase todo.
Constatamos que de um certo volume para cima o tanque estava furado e ele nem sabia disto pois nunca o havia enchido (abastecia de R$10,00 em R$10,00).
Quando enchemos a laje da casa, patrocinei um churrasco para a galera, regado a picanha e muitos deles disseram que nem lembravam mais qual era o sabor da picanha.
Outra coisa admirável é a galera se juntando para pegar o carro no tranco para irem embora. Faziam isto rindo e sempre um deboxando da “pobreza” do outro. Parem para olhar aqueles Monzas velhos com cinco pedreiros dentro e vejam que eles estão sempre rindo e se divertindo dentro do carro, enquanto muitos de nós estamos sozinhos, confortavelmente sentados em nossos carrões, com os vidros fechados, ar e som ligados e semblante carregado.
Hoje eu vejo que não tenho ânimo para gastar o famigerado dinheiro que ganhei, e esta falta de ânimo reflete sobre a minha família, que não tem nada a ver com o “pato”.
Perdi a habilidade em sentir alegria e satisfação com as coisas.
Aos mais jovens, lembrem-se que os anos não são apenas períodos de tempo equivalentes, eles têm valores diferentes ao longo das nossas vidas, portanto, aproveitem ao máximo e não se deixem levar pela roda vida.
Eu me formei com 75kg e aumentei o patrimônio para 105kg, e isto fez muita diferença em tudo (saúde, autoestima, disposição etc).
Acordei aos 46 anos, condenado a dedicar o resto da minha vida tentando usar o aprendizado angariado com os erros cometidos nos anos já vividos, para procurar viver a vida da forma como HOJE eu acho que ela deva ser vivida.
A maior utilidade do dinheiro é proporcionar um pouco de dignidade e qualidade de vida, mas a felicidade e a riqueza mesmo, só vêm do que está escrito na primeira linha deste e-mail.
Gostaria de estar mais “pobre” hoje e ter mais AMIGOS e ter vivido melhor os anos de ouro (dos 75kg aos 80kg).
Posso “comprar” o meu peso de volta, mas os AMIGOS e a juventude, jamais.
A você que se deu ao trabalho de ler este e-mail, pense bem para não ser mais um arrependido/amargurado.

~ por einsteinnjr em 03/09/2008.

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